domingo, 7 de agosto de 2016

Capítulo 13 - A Verdade por trás da Fantasia da Pornografia [Livro de Shelley Lubben]



XIII

Uma Confissão

Última Chance

Ato fInAl

Capítulo Treze

Como os dias avançavam mortalmente e as noites ficavam mais

escuras, eu sabia que algo estava muito errado comigo. Eu passei das

cenas de garota / garota para cenas brutais de estupro em questão de

meses. Cada minuto era um verdadeiro inferno e, ainda assim, eu

prosperava na escuridão. Aquilo tinha se tornado o meu conforto, um

esconderijo para toda a minha feiúra. Seis anos de desempenho em

clubes de strip, eu me sentia à vontade no escuro. Aquilo também me

dava poder. Uma mulher poderosamente sombria, eu podia entrar em

qualquer personagem desde vítima a agressora. Eu podia andar em

uma sala como um anjo de luz ou eu poderia dominar uma alma e

torturá-la. Eu poderia fingir ser uma estrela pornô glamourosa e amar

cada minuto do abuso ou agir como agressora e com força destruir

minhas vítimas. O pornô era o lugar perfeito para eu atuar com minhas

diversas habilidades. Pornógrafos adoraram isso. Na verdade, quão

mais escura eu me tornava, mais os pornógrafos enriqueciam.

Como eu continuei a fazer mais e mais pornô grosseiro e violento, eu

me transformei de vítima em agressora. Na minha vida profissional,

comecei a agir como um homem e abusar de mulheres diante das

câmeras. Com um vibrador, eu fazia com as mulheres exatamente o que

os homens tinham feito comigo. Eu até sabia quão egoísta eu me

tornava como um homem. Todos esses anos na prostituição assistindo

aqueles porcos, valeram a pena. Os homens no pornô eram mais

porcos ainda, ejaculavam em qualquer mulher fraca e em qualquer

“santo lugar” do corpo delas. Agi em vingança como se eu fosse a

mesma coisa que eu anto odiava: um porco.

Eu também abusava de homens em qualquer oportunidade que me

fosse dada. Em minha vida privada, eu tinha vários escravos do sexo

masculino que tomavam conta de mim. Nunca alguma vez paguei a

minha conta de energia elétrica durante os últimos anos de minha

carreira no sexo. Meus escravos cuidavam de coisas como essa. Eu nem

sequer colocava minha própria gasolina. Em todos os lugares que eu ia,

eu dominava os homens e lhes dizia o que fazer. Era como se, ninguém

pudesse dizer não para mim.

Em minha vida profissional, eu continuei a guerra contra os homens na

frente da câmera. Todo filme que eu fazia se tornava uma zona de

combate e eu estava determinada a conquistar. Eu era implacável. Eu

até determinava que alguns filmes fossem feitos em meu apartamento,

onde eu poderia controlar a atmosfera. Com meu Conselheiro Ouija ao

meu lado, demônios em todos os cantos e dentro de mim, eu tinha o

reinado total sobre minhas vítimas. Eu pensava que estava no controle

total da escuridão. Mas eu não estava.

Infelizmente, quando ninguém estava olhando, é claro, eu sucumbia.

Atormentada por demônios a cada noite, eu ficava em minha cama por

horas e ouvia suas palavras vulgares e odiosas. Eu estava tão

atormentada que sempre que eu ia para fora e havia uma Lua cheia, a

face da Lua me amaldiçoava e me dizia que me odiava. Eu pensava que

poderiam ter sido as drogas e o álcool, mas quando eu pedia para as

pessoas ao meu redor para me contarem o que eles viram, elas se

voltavam para mim com medo e me perguntavam se eu estava jogando

com o Tabuleiro Ouija novamente.

Eu tinha aberto um mundo demoníaco para o qual não estava

preparada, e Satanás queria a minha vida por isso.

Clamei a Deus mais e mais para me salvar de Satanás e de mim mesma,

mas Deus parecia não responder. Eu não conseguia entender por que

Deus não me resgatava. Eu nunca duvidei de Deus ou de quem Jesus

era por todo o tempo em que estive na indústria do sexo. Mas eu

duvidava do amor de Deus por mim. Como Deus poderia permitir que

tantas coisas ruins acontecessem se Ele era um Deus de amor?

Cegada pelas mentiras da pornografia e do Satanismo, eu continuei

sobre a escuridão. Todos nós continuamos. Um mundo de fraude e de

moedas de madeira, que ignora o óbvio: Glamourosas estrelas pornô

eram exaustos viciados em drogas. Pornógrafos amigáveis eram

máquinas de crueldade. Sexies colchas roxas eram leitos descoloridos

de doenças. Os banheiros eram estações da imundície humana. Não há

nada de sagrado na pornografia. Tudo era doença, destruíção e

condenação.

Nós éramos filhos da ira, gratificando nossas naturezas pecaminosas

sem nenhum pensamento sobre as conseqüências. Alguns de nós

morremos em nossa ignorância. Alguns de nós estávamos esperando

para morrer.

E agora, era a minha vez.

O relógio bateu 22:00hs e eu senti. Um carocinho em meus lábios, eu

me perguntei o que poderia ser. É claro que eu o ignorei como eu

ignorava tudo em minha vida. A ignorância é a felicidade na indústria

pornô.

Eu estava com um casal de marido e mulher naquela noite. Eles viram

um de meus filmes solicitaram um tempo comigo: um encontro privado

com uma estrela pornô. Como eu saí do banheiro e ajustei minha

calcinha para esconder o meu recém-descoberto “caroço”, pedi que as

luzes fossem reduzidas. Eu realmente não estava interessada em

assustar o jovem casal que contratou uma prostituta pela primeira vez.

Ninguém precisava saber sobre o meu “carocinho”, além de mim.

Uma semana depois, fui abruptamente despertada por uma picada

entre minhas pernas e uma febre alta. Rolei para fora da cama, a minha

região lombar doía muito. O que há de errado comigo? Pensei.

Ainda bêbada da noite anterior, eu lentamente caminhei para o

banheiro onde eu olhei no espelho. Em estado de choque eu observei

uma imagem de mim mesma com os lábios rachados e feridas

vermelhas. Eu parecia um monstro. Enquanto eu engolia o choque, a

minha garganta parecia picada. Um olhar mais atento no espelho, eu

abri minha boca para examinar a dor de garganta e descobri uma

ENORME ferida vermelha na parte de trás da minha garganta.

“O que é ISSO?” Eu soltei em voz alta.

Puxei meus lábios e feridas vermelhas estavam por toda parte na

minha boca. Fiquei horrorizada. Eu não podia acreditar. Eu não sabia o

que era.

Isso é péssimo, pensei.

Eu tirei minha calcinha para procurar mais danos possíveis.

Bolhas cheias de líquido por toda parte. Apalpei com minha mão e um

espelho para olhar por trás.

Oh meu Deus, pensei.

As bolhas estavam em toda parte em minha vagina e ânus. Eu não

ousaria tocar-me para que elas não viessem parar em minhas mãos.

Levantei-me, perplexa e com temor. Nada como isso havia acontecido

antes comigo.

Eu vesti algumas roupas, saltei para o carro e dirigi até para a próxima

clínica médica. Quando finalmente foi minha vez de ser examinada, o

médico indiano insensível exclamou: “Oh meu... você tem huppies”.

“O que diabos é huppies?” Eu quis saber.

Ele me explicou que eu tinha um caso sério de Herpes Genital, uma

doença incurável, e levou uma amostra do meu sangue para mais

testes. Eu estava pasma. Eu não podia acreditar. Se eu assustei até o

médico com a minha Herpes, ela deveria ser realmente ruim.

Oh meu Deus, pensei novamente. Eu tenho uma doença infecciosa

incurável.

Uma risada maligna interrompeu meus pensamentos chocados e uma

voz baixa falou para mim: “Ninguém vai te amar agora. Você não é nada

senão um monstro horrível. Ninguém vai querer você. Bem que você

poderia se matar.”

Sim, eu balancei a cabeça. Eu deveria me matar.

Naquele dia fui para casa e peguei mais de 30 pílulas.

Desta vez eu estava falando sério. Minha vida era um desastre. Eu não

tinha nada para viver. Todos me odiavam. Ninguém me amava. Meus

pais não se importavam. Deus não se importava.

Por que eu deveria me importar, pensei.

E eu tomei uma overdose novamente, só que desta vez eu sofri com

isso sozinha na escuridão, com um bando de demônios na minha cama

enfiando em mim seus dedos e tudo estaria finalmente acabado.

“Morra, Shelley. Apenas morra. Nós odiamos você. Você não vale nada.

Você é um pedaço de merda. Ninguém quer você. Deus odeia você.

Apenas morra!”

As vozes malignas sibilaram para mim a noite toda.

Mas de alguma forma eu acordei. E então eu desapareci. Eu

silenciosamente deixei a indústria pornográfica para sempre. Parei de

atender as ligações. Fiquei longe de festas pornô. Fingi que isso jamais

aconteceu.

Sem outras opções disponíveis para mim, eu logo voltei para a

prostituição onde eu poderia pelo menos usar um preservativo.

Ninguém teria que saber que eu tinha Herpes. Aquilo seria o meu

segredinho. Liguei para velhos clientes e estava trabalhando à minha

maneira até que um dia, uma Voz interrompeu meus pensamentos,

“Shelley, você está indo na direção errada.”

Senti um aviso muito sério sobre mim enquanto dirigia na auto-estrada

60 em direção ao oeste de Los Angeles.

“PARE!” A voz explodiu em minha cabeça.

Lágrimas encheram meus olhos e eu argumentei: “Deus, eu não quero

voltar. Eu odeio a prostituição. Mas Você não está me ajudando.”

“PARE!” A voz cresceu novamente.

Eu não conseguia afastar a sensação horrível de que algo muito ruim,

algo pior do que eu jamais poderia imaginar estava prestes a

acontecer. Eu engoli algum Jack Daniels para aliviar a minha ansiedade.

Coloquei uma fita cassete para abafar a voz.

Tudo vai ficar bem, eu me tranquilizei.

Em uma queda súbita meu carro capotou no ar e eu vi de cabeça para

baixo a estrada dar voltas e voltas enquanto eu observava minha vida

como um flash diante dos meus olhos.

“CRASH BOOM!”

Meu carro caiu com o lado direito virado para cima perfeitamente. Em

estado de choque, eu peguei o espelho retrovisor. Nada de sangue em

meu rosto. Olhei para baixo. Sem sangue nos meus joelhos. Olhei para o

lado. A porta do carro estava esmagada por dentro, eu virei minha

cabeça. A janela traseira estava destruída.

Tudo foi esmagado, exceto eu. Eu não tive um arranhão.

Eu me arrastei para fora de minha janela e corri o mais rápido que

pude em choque. Olhei para trás de mim e vi as luzes da polícia

dirigindo-se até o destroços. Fiz um gesto para um motorista parar e

me pegar. Eu disse-lhe para me levar para casa. Ele queria me levar ao

hospital. Eu disse a ele minha filha estava em casa sozinha e que eu

precisava buscá-la em primeiro lugar.

Eu menti. Minha filha estava na casa da babá, mas eu precisava ira para

casa.

Quando nos afastamos, eu assisti pelo espelho retrovisor os carros de

polícia puxando para cima o meu Miata vermelho conversível.

O único pensamento em minha mente: Eu não quero ser acusada de

dirigir sob influência de álcool.

Fui para casa e chamei a polícia e menti que alguém tinha roubado o

meu carro em uma festa. Quando eu desliguei o telefone apenas fiquei

lá em estado de choque.

Talvez Deus estivesse falando comigo.

Oh sim, eu pensava sarcasticamente. Entre a Herpes e perto de um

acidente de carro fatal, Deus está, ENTÃO falando comigo.

Poucos dias depois, fui até a polícia para reivindicar meu veículo

esmagado. Eu andei em direção ao vermelho esmagado em assombro.

O carro era metade do tamanho que tinha antes do acidente. Isso é o

quanto ele foi esmagado. Apalpei dentro para pegar algumas das

minhas coisas e notei que o toca-fitas ainda tinha a fita cassete que eu

havia colocado antes do capotamento.

Ela ejetou para fora e eu pulei para trás. A música que estava tocando

durante o acidente era “Last Chance” (Última Chance), de Duran Duran.

Eu tinha noção.



Engoli em seco. Deus estava definitivamente falando comigo.

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